Cerimônia de premiação de concurso do MIS e Cinecafé teve clima de reflexão sobre o papel do museu pós-pandemia

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A cerimônia de premiação do concurso “Repensar e reimaginar o MIS antes e pós-pandemia em imagens e sons” aconteceu na tarde desta sexta-feira (24), no Museu da Imagem e do Som. O clima foi de reflexão sobre o papel do museu pós-pandemia.

A coordenadora do MIS, Marinete Pinheiro, agradeceu ao Cine Café pela parceria e explicou que, no início, os trabalhos inscritos não estavam cumprindo a proposta do concurso, então foi decidido reabrir com um novo prazo e itens mais explicativos no edital. “As pessoas não têm muito conhecimento ainda sobre direito autorais, recebemos inscrições de obras que infringiam essa lei, que criavam problemas legais e não podiam ser selecionadas”.

Mas, segundo Kezia Miranda, do Cine Café, como uma primeira experiência, o concurso foi muito bem-sucedido porque, neste segundo momento, a qualidade das obras foi muito boa. “Fiquei maravilhada com as obras participantes. O Cine Café completa cinco anos de trajetória, temos o engajamento de profissionais de várias áreas que demonstram paixão pelo cinema. Nós agradecemos o espaço aqui do MIS, por meio da Fundação de Cultura, e gostaríamos de dizer que este concurso é o ponto mais alto da organização do nosso cineclube; organizamos uma seleção e tivemos apresentações brilhantes”.

A primeira colocada, Luciana Scanoni Gomes, participou com a fotografia “Antônia, uma grande ceramista terena”. Luciana é consultora em antropologia e trabalha com mulheres ceramistas Terena, além de atuar no laboratório de antropologia visual da UFMS. Durante seu trabalho ela conheceu Antônia Julio, uma antiga ceramista aqui do Estado, e descobriu que tem uma foto dela no livro “Do índio ao Bugre”, de Roberto Cardoso de Oliveira”. Daí surgiu a ideia de fazer uma foto da ceramista segurando a página do livro em que consta sua própria foto, bem mais jovem.

“Já que o objetivo do concurso é pensar em um museu pós-pandemia, que este museu tenha a participação dos indígenas, desses artistas que têm um nome, porque o trabalho deles é importante para a gente”, diz Luciana. Ela levou à premiação a neta da Antônia, a também ceramista Darlene Julio. “Nós da família ficamos muito emocionados ao saber que a fotografia da minha avó ganhou o primeiro lugar no concurso. Eu avisei a família toda pelo whatsapp. Minha avó já é falecida, por isso ficamos tão emocionados”.

Felipe Lopes Siqueira, que tirou o terceiro lugar, participou com o videoarte experimental ‘Dedicada à Memória’, feito com colagens em stop motion. “O tema museal sempre foi presente na minha vida acadêmica. Sou arquiteto por formação e tenho também minha produção artística com colagens. No vídeo eu quis fazer uma provocação: onde você guarda a memória? A memória deve ser preservada com vídeos, fotos, textos, de várias maneiras. Eu também fiz a trilha sonora do vídeo, que flerta com o surrealismo, com o dadaísmo”.

Felipe, no ato da premiação, afirmou que o concurso discutiu não só sobre o passado, mas também sobre o futuro. “A gente vê uma iniciativa como essa sendo posta em prática, isso abre muitos horizontes, cria-se um pensamento crítico sobre o espaço museal, sobre a cultura”.

O primeiro e terceiro lugar receberam, na sede do Museu da Imagem e do Som, 01 kit Cultural, camisetas do Cine Café e vouchers do Burger King do Shopping Pátio Central. O segundo lugar, Flávio Zancheta Faccioni, não pôde estar presente porque encontra-se fora do país cursando doutorado sanduíche. Luciana decidiu doar o seu prêmio para a escola onde os netos da Antônia Julio, a fotografada, estudam e muitos de seus filhos dão aula.

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Fonte: Portal do Governo de Mato Grosso do Sul
Com Intercâmbio via guiadefatos.com.br
Karina Lima, FCMS
Fotos: Daniel Reino

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